terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ferrovias de Usinas em Jaboatão e Moreno

Por James Davidson

Maria Catita

Os municípios do Jaboatão dos Guararapes e do Moreno já possuíram, cada um, mais de 40 engenhos de cana-de-açúcar, cada um com sua fábrica e produção própria. Porém, no final do século XIX, iniciou-se um processo de modernização da produção açucareira, através da criação das usinas e dos engenhos centrais. A usina consistia num processo de produção mais moderno, em escala industrial, que demandava uma quantidade de matéria-prima muito maior que o simples engenho. Assim, os engenhos que não se transformaram em usina, acabaram virando apenas fornecedores de cana, ficando de "fogo morto". Este processo de transformação da produção açucareira não foi uniforme em todas as regiões, mas até a metade do século XX, todos os engenhos do Vale do Jaboatão já estavam na dependência direta ou indireta de alguma usina.

Ruínas da Usina Jaboatão

Para atender a demanda por mais matéria-prima, ou seja, por mais cana-de-açúcar, a usinas adotaram, inicialmente, o transporte ferroviário como alternativa mais viável e econômica. Assim, ainda no final do século XIX, iniciou-se a construção de ferrovias ligando as usinas aos vários engenhos que forneciam cana. As três usinas que se instalaram em Jaboatão tinham seus ramais ferroviários que as ligavam aos engenhos de sua área de influência, e que também se comunicavam com as ferrovias públicas estatais. Vejamos cada uma delas.

Município do Jaboatão - Enciclopédia dos Municípios/IBGE

A Usina Muribeca foi uma das primeiras usinas a ser criada no Estado de Pernambuco. Situada em terras do Engenho Recreio, funcionou até 1965, quando abriu falência. Suas terras foram loteadas e hoje formam diversos bairros da área de Muribeca. Pertenciam a esta usina os engenhos Guararapes, Recreio, Conceição e São Severino, além de arrendar safras de vários outros engenhos vizinhos. Possuía dois ramais ferroviários. O primeiro partia da Usina e seguia por 4 quilômetros em direção leste até o Engenho Guararapes, enquanto o segundo seguia em direção contrária, no rumo oeste, partindo da mesma usina e atravessando os engenhos Recreio, Conceição e São Severino, para depois se unir à ferrovia da Usina Jaboatão. Parece ter existido também, além destes, dois outros ramais ferroviários dos quais um seguia em direção sul, atravessando o Rio Jaboatão e passando pelo Engenho São Bartolomeu, seguindo até as pedreiras de Comportas. O outro seguia em direção oeste, pelo vale do Rio Muribeca, unindo os engenhos Muribequinha, Capelinha, Salgadinho e Camarço.

Município do Moreno - Enciclopédia dos Municípios/IBGE

A ferrovia da Usina Jaboatão era ligada com a Estrada de Ferro Central de Pernambuco, no ponto conhecido como "Estrela", em Jaboatão Centro, na antiga Praça dos Caçadores. Seguia daí pela rua Câmara Lima (Beco da Colônia) até a sede da Usina Jaboatão, onde se bifurcava em dois ramais. O primeiro descia pelo Riacho Suassuna até se encontrar com a ferrovia vinda da Usina Jaboatão. O segundo subia o mesmo riacho em direção aos Engenhos Palmeiras e Macujé. Antes, porém, formava um novo ramal, na altura da Colônia Salesiana, que seguia em direção ao sul e que veio a ser o principal tronco ferroviário da Usina Jaboatão. Este ramal ferroviário seguia até o Engenho Penanduba, onde tomava o rumo oeste, atravessando os engenhos Camarço e Secupema. Penetrava no município do Moreno em terras do Engenho Canzanza, seguindo daí em diante pelos engenhos Caraúna e Gameleira até chegar no Engenho Javunda, num percurso com mais de 16 quilômetros! Do Engenho Javunda saía ainda um pequeno ramal ao norte, até a metade do caminho para o Engenho Pereiras, e outro ao sul, que se comunicava com a ferrovia vinda da Usina Bom Jesus, no Engenho Cumarú.

Município de São Lourenço da Mata -  Enciclopédia dos Municípios/IBGE

Já o domínio canavieiro da Usina Bulhões eram mais para o norte, penetrando no território de São Lourenço da Mata e chegando até o Povoado de Matriz da Luz. Seu início era na Estrada de Ferro Central, diante da Usina, em Jaboatão Centro, seguindo em direção norte pelo vale do Rio Duas Unas até a sede do Engenho Camassary, onde tomava o rumo oeste pelo vale do mesmo rio. No encontro dos rios Duas Unas e Pixaó, a ferrovia da usina Bulhões se bifurcava. O primeiro ramal continuava pelo Vale do Rio Duas Unas passando pelos engenhos Pocinho e Una, onde aparentemente terminava neste último (talvez prosseguisse até o Engenho Pacoval). O segundo ramal seguia pelo Vale do Rio Pixaó, em direção noroeste, até o Engenho do Mato, onde novamente se bifurcava em dois sub-ramais. O primeiro seguia ao norte pelo Engenho Curupaity e terminava no Povoado de Matriz da Luz. Já o segundo, prosseguia pelo Vale do Rio Pixaó até o engenho homônimo, onde tomava o rumo oeste, seguindo até a nascente do rio. Atravessava o divisor de águas entre o Pixaó e o Várzea do Una, e seguia por mais sete quilômetros atravessando os engenhos Covas, Araújo, Poço Dantas e Várzea do Una, onde terminava. Em sua maior extensão, a ferrovia da Usina Bulhões alcançava até cerca de 20 km.

Usina Bulhões - Hoje Falida

Penetrava ainda no município do Moreno a ferrovia vinda da Usina Bom Jesus, sediada no município do Cabo. Subindo o Vale do Rio Gurjaú, atravessava os engenhos São Braz, Monte, Jacobina e Coimbras, sempre na margem do Rio Gurjaú que pertence ao município do Cabo, para daí ir aos Engenhos Gurjaú de Baixo e de Cima, já em território morenense. Neste último engenho, a ferrovia se bifurcava, indo um ramal para o Engenho Cumarú, onde se encontrava com o ramal vindo da Usina Jaboatão. O outro ramal seguia em direção ao Engenho Novo da Conceição, vindo a terminar em Cajabussu. No Engenho Novo saía ainda um pequeno ramal por um riacho, até a localidade conhecida como "Os quadros".

Vista aérea da Usina Jaboatão

Como é possível perceber, estas ferrovias ligavam quase todos os engenhos e era possível percorrer grandes distâncias de um município a outro. Facilitava não só o transporte da cana, mas também dos moradores dos engenhos que se beneficiavam das ferrovias para ir ao trabalho e para a cidade. Muitos utilizavam "trollers" para se locomover, o que às vezes causavam acidentes. Todo o vale dos rios Duas Unas, Gurjaú e Muribeca estavam conectados e podía-se ir de Muribeca a Matriz da Luz sem grande problemas. Hoje, porém, nenhuma dessas linhas mais existem e os trilhos foram todos arrancados e/ou roubados. É possível encontrar, às vezes, um ou outro trecho e alguns trilhos constituem colunas de algumas casas de moradores e há ainda uma pequena locomotiva parada na Usina Bulhões. Mas o que levou ao desaparecimento dessas ferroviais?

Ruínas da Usina Muribeca

O mesmo processo que se verificou com as ferrovias públicas parece ter ocorrido com as ferrovias privadas das usinas: o favorecimento do transporte rodoviário em detrimento do ferroviário, a partir das décadas de 60 e 70. Algumas ferrovias foram destruídas logo após o fechamento da usina, como foi o caso da Usina Muribeca, mas nos demais casos, mesmo com o prosseguimento das atividades, os trilhos foram arrancados em meados da década de 80, simplesmente porque os caminhões passaram a ser preferência para o transporte da cana. Com isso, o que seria no futuro uma grande oportunidade de transporte alternativo de passageiros simplesmente desapareceu!

Locomotiva na Usina Bulhões

domingo, 29 de setembro de 2013

Casa-grande de Engenhos em Moreno

Por James Davidson


O termo casa-grande, como é conhecido hoje, refere-se à moradia do senhor de engenho. Junto com a capela, senzala e fábrica, constituía um dos edifícios base da estrutura de um engenho de cana-de-açúcar. Mas nem sempre as casas de engenho eram chamadas assim. Ao se consultar documentos antigos, percebe-se que eram mais comuns os termos "casa de vivenda", "casa de morada", "sobrado", entre outros. Parece que o termo casa-grande só foi consagrado mesmo após a publicação do livro clássico "Casa-grande e Senzala" de Gilberto Freyre, tornando-se a expressão conhecida e popularizada. Além disso, o termo casa-grande não era de uso restrito da zona canavieira, pois aparece também no agreste e no sertão, para denominar também a principal residência de uma fazenda.

Como demonstra Geraldo Gomes, autor de Engenho e Arquitetura, o mais profundo estudo sobre o tema em Pernambuco até hoje feito, nem sempre as casas-grandes eram grandes casas. Além de existirem grandes casas senhoriais, também existiam as modestas e simples casas-grandes, mostrando que nem todos os donos de engenhos eram ricos e poderosos como o senso comum nos faz crer. É importante destacar a grande variedade de tipos existentes e que nem sempre as casas que chegaram até hoje são as originais.


No caso do município do Moreno, muitos dos seus 44 engenhos ainda conservam sua casa-grande. Entre os engenhos que não as possuem mais, podem ser citados os engenhos Canzanza, Mato-grosso, Timbó, Serraria, Pacoval, Bom Dia, Quiaombo, Brejo, entre outros. Alguns conservam um edificação bastante descaracterizada com modificações significativas, como as casas dos engenhos Catende e Caraúna, e outras são relativamente recentes, como as dos engenhos Gurjaú de Baixo e Buscaú. Outras, porém, constituem belíssimos exemplares da Arquitetura de Engenho, como as casas dos engenhos Morenos, Pintos e Novo da Conceição. Vejamos algumas delas:

Casa-grande do Engenho Catende

Casa-grande do Engenho Carnijó

Casa-grande do Engenho Gurjaú de Cima

Casa-grande de Gurjaú de Baixo

Casa-grande do Engenho Buscaú

Casa-grande do Engenho Floresta

Casa-grande do Engenho Queimadas

Casa-grande do Engenho Pintos

Casa-grande do Engenho Pereiras

Casa-grande do Engenho Jaboatão
Casa-grande do Engenho Javunda

Casa-grande do Engenho Jussara

Casa-grande do Engenho Pocinho

Casa-grande do Engenho Una
Casa-grande do Engenho Morenos

domingo, 30 de junho de 2013

Filme Engenhos e Usinas - Humberto Mauro

Por James Davidson



Pesquisando na Internet encontrei uma das obras primas do cineasta Humberto Mauro - o filme Engenhos e Usinas. Mineiro, Humberto foi um dos grandes cineastas do Brasil de meados do século XX e que nos legou muitas obras sobre a cultura popular brasileira que valem apena conhecer. Engenhos e Usinas é um filme que retrata a substituição dos engenhos primitivos, chamados de banguês, pelas usinas modernas. Este fato ocasionou o desaparecimento do engenhos tradicionais que ficaram de "fogo morto". Como a região do Vale do Jaboatão era tradicionalmente repleta de engenhos, o mesmo fenômeno aconteceu e hoje os engenhos só conservam os nomes, remetendo sua cana para as usinas. Assim, perdeu-se muito tanto em termos de cultura material, pois a maioria das fábrica e moendas foram destruídas, como imaterial, pois até mesmo as tradições como as festas da botada (início da moagem) e cantigas antigas foram sendo esquecidas. No município de Moreno, por exemplo, apesar da maioria dos antigos engenhos preservarem seus nomes, existem apenas uma roda d'água, que é a do Engenho Seva. Até pouco tempo atrás existia a Roda d'água do Engenho Jaboatão (Jaboatãozinho). Porém, foi levada para um ferro-velho e destruída por moradores locais. Sem falar na expulsão dos moradores do engenho por parte das usinas ou a completa destruição do engenho e seus edifícios (casa-grande, senzala, fábrica e capela). Assim, o patrimônio vai se perdendo pelos interesses individuais ou em nome do "progresso"!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Lançamento do Livro Memórias Destruídas

Por James Davidson

Finalmente, depois de 3 anos de espera, ocorrerá o lançamento do meu livro Memórias Destruídas. O livro que fala sobre a história da destruição do Patrimônio de Jaboatão dos Guararapes, será lançado no dia 12 de Janeiro de 2013, na sede da Casa da Cultura de Jaboatão. Venho através desta postagem convidar a todos os leitores e amigos do Blog a participar da Festa de Lançamento. O evento contará com a exposição de banner sobre o Patrimônio de Jaboatão dos Guararapes, assim como a exibição de um Pequeno Curta Metragem sobre o assunto. Vejam abaixo uma prévia do vídeo:


Em breve estarei divulgando mais informações sobre o evento!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Vídeo documentário Águas do Jaboatão

Por James Davidson


Acima Vídeo Documentário Águas do Jaboatão, realizado pelo MJPOP, em parceria com  A Juventude Suassuna e o Jaboatão Redescoberto. Foram várias visitas em diversos trechos do Rio Jaboatão e seus afluentes, percorrendo seus 75 Quilômetros, desde sua nascente em Vitória de Santo Antão, até sua foz em Barra de Jangadas. Conversamos com moradores locais - pescadores, coletores, sitiantes e ribeirinhos - e flagramos várias atividades poluidoras e destruidoras do Meio Ambiente. Foi uma experiência maravilhosa, onde pudemos sentir na pele os momentos tanto de beleza, como de agonia do nosso rio. A relação dos moradores locais com nossa artéria fluvial também pôde ser analisada através deste documentário. Tudo em defesa do meio ambiente e do rio que deu origem à nossa cidade. Não somente autorizamos, mas insistimos que este vídeo seja compartilhado, baixado, distribuído e divulgado em todas as mídias sociais para que seja um importante veículo de conscientização social e ambiental nas escolas, comunidades, universidades, seminários,  etc. Que os professores e atores sociais de nossas escolas e comunidades utilizem este vídeo para a Educação Ambiental em nosso município. Um agradecimento especial a Alexandre Roseno, Edson, Julie Carle, Mário César Ramos, Tathiana Cosme, Raiana Rodrigues, Torquato Silva, Walkíria Rodrigues, Joel Emídio, Pollyana Virgolino, Sr, Salatiel e para todos os outros que contribuíram de alguma forma ou de outra para a realização deste importante trabalho. Esperamos que um dia possamos ver esta triste realidade transformada e que um dia possamos beber da água do Rio Jaboatão em todos os trechos, não só em sua nascente!!!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Caos administrativo na Prefeitura de Moreno

Por James Davidson


Os funcionários da prefeitura de Moreno estão sofrendo com o caos administrativo em que se encontra o município atualmente. Estamos vivendo uma verdadeira "desadministração" no município e o caos tomou conta da gestão. Apesar de estarmos em ano eleitoral, onde geralmente os políticos melhoram o governo pra tentar eleger alguns candidatos, o que está acontecendo em Moreno é exatamente o contrário. É como se nos últimos meses da atual administração houvesse um descaso pelo funcionamento da prefeitura.

O começo deste mês de Julho foi marcado pelo descaso com o pagamento dos funcionários. Muita gente recebeu parcialmente seu salário, enquanto teve gente que nem recebeu. Após muito protesto e reivindicações, finalmente, depois de uma semana, veio a correção esperada. Porém, todos temem que o quadro venha a se repetir nos próximos meses, o que não deverá ser muito difícil, tendo em vista o que vem acontecendo nos últimos dias.

Outro grande problema é a respeito do Cartão VEM. Embora tenha sido descontado nos contra cheques, estamos no dia 23 de julho e os créditos ainda não entraram. Há alguns meses que a entrada dos créditos vem atrasando, mas agora em Julho chegou ao cúmulo do absurdo! Pra quem depende de ônibus fica difícil trabalhar desse jeito tendo de pagar passagem por fora quando já foi descontado do seu salário!

O acordo feito entre a gestão e os professores quanto ao pagamento dos retroativos de 2012 também não será cumprido. Faltam apenas duas parcelas, mas de acordo com a proposta da secretaria o pagamento só será realizado no dia 10/08, pulando o mês de Julho. Em Assembléia realizada no dia 20/07, a categoria dos  professores de Moreno decidiu manter o Estado de Greve, embora tenha aceitado a proposta do governo. Porém, caso mais uma vez a atual administração atropele seus acordos, provavelmente uma greve poderá ser deflagrada em agosto.

Como se não bastasse isso tudo, apareceu no contra-cheque dos funcionário um desconto de um tal Real Saúde. Ninguém sabia que a prefeitura tinha um convênio com o Real Saúde, todos conhecem o convênio com o Plano Ideal Saúde. Só que esqueceram de avisar aos funcionários do município, que estão pagando por um plano que não usam. 

Enfim, a atual administração da Prefeitura de Moreno, nos últimos meses, vem confirmando sua  grande incompetência na gestão dos recursos públicos municipais. Resta a todos nós suportar o descaso previsto para o restante do ano e saber escolher nas próximas eleições!

sábado, 7 de julho de 2012

Hidrografia do município de Moreno

Por James Davidson


O município de Moreno está incluído em três bacias hidrográficas: Bacia do Rio Jaboatão, Bacia do Rio Pirapama e Bacia do Rio Capibaribe. A Bacia do Jaboatão está representada pelo Rio Jaboatão, pelo Rio Duas Unas e seus afluentes. A Bacia do Rio Capibaribe está representada pelo Rio Várzea do Una, afluente do Rio Tapacurá que, por sua vez, é afluente do Rio Capibaribe. Os rios Gurjaú, Cajabussu e Arariba são os representantes da Bacia do Pirapama no município.

Rio Jaboatão

A Bacia do Rio Jaboatão é a principal bacia hidrográfica do município de Moreno ocupando a maior parte de seu território. O Rio Jaboatão corta o município de oeste a leste, vindo de Vitória de Santo Antão, passando pelos engenhos Jussara, Jaboatão, Pintos, Pereiras, Morenos e entrando pela sede da cidade até o Engenho Bom Dia, onde deixa o município adentrando em terras de Jaboatão dos Guararapes. Recebe as águas de vários afluentes importantes como o Riacho Una, Riacho Laranjeiras, Riacho Capim-Açu, Riacho Xixaim e Riacho Cachoeira, este último na cidade.

Rio Jaboatão na cidade de Moreno

 Além do Rio Jaboatão, também faz parte da bacia o Rio Duas Unas que nasce em território morenense, próximo à Bonança, às margens da BR 232, junto à antiga LONEX. Segue em direção norte e, depois, leste, onde adentra o município de Jaboatão dos Guararapes já formando a Represa de Duas Unas. Serve de limite entre o município de Moreno e de São Lourenço da Mata, passando pelos engenhos Serraria, Usina N.S Auxiliadora, Fortaleza, Pacoval, Una e Pocinho. Seus principais afluentes em território morenense são os riachos Pacoval e Dois Irmãos.

Rio Duas Unas próximo à sua nascente, no Engenho Serraria

Rio Duas Unas 


O Rio Várzea do Una nasce no município de Vitória de Santo Antão, em terras do Engenho Tamatá-Mirim. Segue em direção leste com traçado retilíneo, paralelo à Br 232, por estar encaixado na falha geológica denominada Lineamento Pernambuco, que corta o estado de leste a oeste. Passa pelo Engenho Queimadas e pelo centro do distrito de Bonança. Após passar pelo Engenho Tapera, segue direção nordeste, deixando o município no Engenho Várzea do Una para, posteriormente, juntar-se ao Tapacurá. Seu principal afluente é o Riacho do Coutinho.

Rio Várzea do Una em Bonança

O Rio Gurjaú é o principal afluente do Rio Pirapama e tem suas nascentes localizadas no Engenho Buscaú, em Moreno. Passa pelo Engenho Brejo onde forma bela queda d'água e depois segue pelos engenhos Cumarú, Gurjaú de Cima, Gurjaú de Baixo e Jacobina. Deixa o município após passar pelo Engenho São Braz, seguindo em direção ao Rio Pirapama, no município do Cabo de Santo Agostinho. Seus principais afluentes em território de Moreno são o Riacho das Moças, Riacho Cumarú, Riacho Javunda, Riacho Caraúna e Arroio Canzanza.

Rio Gurjaú no Engenho Gurjaú de Baixo

Cachoeira do Engenho Brejo no Rio Gurjaú


O Riacho Arariba, também chamado de Rios dos Macacos, nasce próximo ao Povoado de Massaranduba, zona rural de Moreno. Passa pelo Engenho Furnas onde se encaixa em um espetacular vale em "V" formado por uma extensa falha geológica que segue a direção NNE-SSE. Segue pela mesma falha até o Engenho Arariba do Pimentel, já em município do Cabo. Outro importante afluente do Rio Pirapama é o Rio Cajabussu, que nasce em terras do Engenho Buscaú (próximo à nascente do Rio Gurjaú) e adentra no Engenho Contra-açude, também encaixado numa falha geológica com direção N-S. Depois segue ao Engenho Cajabussu, já no município do Cabo.

Vale do Rio Arariba - Capim Canela

A importância dos rios e seus afluentes para o município consiste no fato que grande parte de seu território está incluído nas Áreas de Proteção dos Mananciais. Os rios Duas Unas, Várzea do Una e Gurjaú são fontes de abastecimento importantes para toda a Região Metropolitana do Recife, incluindo-se aí nessa lista também o Rio Jaboatão que também abastece Bonança e Vitória de Santo Antão e que terá essa função ampliada com a construção da Barragem do Engenho Pereiras. Daí a necessidade de proteção aos mananciais tão importantes para a população, mas nem sempre respeitada com o lançamento dos esgotos domésticos, de resíduos industriais e de agrotóxicos agrícolas. Fora o desmatamento das margens e encostas para o plantio da cana-de-açúcar ou para construção irregulares. Por isso, é preciso que o poder público atue na defesa dos mananciais através da Educação Ambiental com a população, da fiscalização e punição aos infratores da lei.

Recipiente de agrotóxico jogada às margens do Rio Duas Unas em Serraria