quarta-feira, 7 de março de 2018

Rio Jaboatão na Cidade do Moreno


Por James Davidson




A partir de sua nascente, no município de Vitória de Santo Antão, o Rio Jaboatão adentra no município do Moreno em terras do Engenho Jussara, após percorrer alguns engenhos do município de Vitória. Tem início aí um longo percurso de cerca de 17 quilômetros em que o Rio Jaboatão atravessa o município do Moreno de oeste a leste, passando pelas sedes dos engenhos Jussara, Jaboatãozinho, Pintos, Pereiras e Morenos, adentrando em seguida na cidade. O rio deixa o município do Moreno em terras do Engenho Bom Dia, seguindo, daí em diante, em território do vizinho município de Jaboatão dos Guararapes.

No Engenho Jussara, forma o Rio Jaboatão várias corredeiras que são aproveitadas pela Compesa como pontos de captação de água para o Distrito de Bonança e para Cidade de Deus. Ali, ainda se conserva a Mata do Engenho Jussara, um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica às margens do Rio Jaboatão.

No passado, a água do Rio Jaboatão era utilizada pelos engenhos na produção do açúcar. A força motriz do rio movia as moendas dos vários engenhos à sua margem, através de Rodas D'águas. Um dessas últimas rodas d'águas existentes até alguns anos atrás era a do Engenho Jaboatãozinho, que se localizava às margens do Rio. Porém, e infelizmente, foi levada por moradores para um ferro-velho em Bonança e destruída. Resta agora, em toda a bacia do Jaboatão, somente a roda d'água do Engenho Seva, situada às margens do Riacho Laranjeiras, um de seus afluentes. É um dos últimos testemunhos dos tempos faustos do açúcar no município.


De Jaboatãozinho, o Rio Jaboatão segue para o Antigo Engenho Pintos. Ali, a construção da Barragem no vizinho Engenho Pereiras fez com que a localidade ficasse abandonada. A perspectiva de inundação pelo lago da represa fez com que o Estado indenizasse os moradores, deixando o lugar um deserto. Destaque para o antigo Casarão do Engenho Pintos, um verdadeiro exemplar da arquitetura do açúcar, que será inundado. Assim, mais um local histórico para a memória do município ficará esquecido e submerso!


Mais adiante, o Rio Jaboatão atravessa as terras dos Engenhos Pereiras e Morenos, penetrando em seguida na Cidade, pelo Banho do Salu. Até então, o Rio vinha sofrendo apenas com algumas agressões oriundas da agricultura, como o uso de agrotóxicos e a destruição de sua Mata Ciliar. Porém, na Cidade, outros impactos começam a comprometer a água do Rio Jaboatão. Na comunidade da Galinha D'água, por exemplo, um esgoto a céu aberto deságua sem tratamento no Rio.


No Centro da Cidade do Moreno, uma pequena represa no trecho conhecido como "Tomada" marca o cenário do rio. Ali, a água do rio era utilizada para os serviços da Fábrica do Société Cotonnière. Atualmente, se encontra contaminada e tomada pelo lixo. Fica difícil imaginar que décadas atrás esse trecho era utilizado para o banho pelos moradores, principalmente na parte conhecida como "Poço da Nega".

Mais adiante, rio abaixo, podemos encontrar os mesmos problemas de esgoto e de lixo sendo despejados no rio. No bairro de N.S. de Fátima, podemos ver crianças tomando banho no rio, enquanto porcos descasam ao lado. Na ocasião, flagramos um comerciante local despejando resíduos de uma loja de aves no Rio Jaboatão. Também registramos crianças pescando no rio. Após o bairro de N.S. da Conceição, o Jaboatão segue para o Engenho Bom Dia, deixando o município do Moreno e seguindo por Jaboatão dos Guararapes.

Quais as consequências do tratamento que é dado pela cidade e seus moradores ao rio? Doenças, riscos á saúde e enchentes são os principais. Na grande cheia de 2005, por exemplo, o Rio Jaboatão transbordou invadindo as casas e destruindo as invasões em suas margens. A população carente, como sempre, é a que mais sofre!


E qual seria a solução para os problemas enfrentados pelo Rio Jaboatão na Cidade do Moreno? O que é preciso fazer para mudar o estado do rio? Que atitudes são necessárias para tornar o Rio Jaboatão em um rio limpo e saudável novamente? Essas perguntas somente serão respondidas se houver, antes de tudo, um redirecionamento na forma de tratamento que é dado ao rio pela Cidade. E para isso, além da realização de obras de saneamento básico, como a criação de uma rede de coleta de esgoto que atenda a toda a cidade e a criação de uma coleta seletiva e eficiente de lixo, é preciso que a população participe ativamente na recuperação do rio, não como mera expectadora, mas como membro participante e atuante dessa mudança. E isso só será possível com uma forte mediação do poder público em todas as esferas de governo, no sentido de não somente realizar obras de intervenção necessárias para recuperação do Rio Jaboatão, mas também inserindo a população no processo através da Educação Ambiental. É somente por meio da Educação Ambiental que poderá haver uma mudança de pensamento e de ações, passando a relação das pessoas com o Rio a ser harmoniosa e equilibrada. Assim, quem sabe um dia a Cidade do Moreno voltará a conhecer um Rio Jaboatão limpo e despoluído!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Moreno em 1921

Por James Davidson



Encontrei num antigo Almanaque esta fotografia da Cidade do Moreno, na época distrito de Morenos, datada do ano de 1921. Na imagem é possível perceber a antiga fábrica de tecido de Moreno - Sociétè Cotonnière Belge Bresilienne - cujo nome ficava gravado na cobertura. A fotografia, provavelmente tirada do atual Alto da Liberdade, mostra o centro de Moreno, muito pouco povoado por sinal. A sede da prefeitura não existia, havendo apenas um terreno baldio. As casas ao lado desta, porém, já existia na época, como se vê no prédio onde funcionou o Bandepe (Banco Santander). Mo fundo, é possível observar casas nos atuais bairros da Pedreiras e da Mangueira, mostrando que aquele setor da cidade já era habitado no período. Destaque ainda para a pequena represa no Rio Jaboatão, cuja água ia para o serviço da fábrica de tecidos.

domingo, 5 de março de 2017

Terra Morenense

Por James Davidson

Nas muitas andanças pelo município do Moreno, fiz varias fotos de paisagens e locais importantes da história morenense. Por isso publico aqui uma amostra das principais imagens e seus respectivos locais.

Morro da Pedra Pelada - Engenho Buscaú

Casa do agente da estação Tapera - Bonança

Engenho Cumarú

Casa de Farinha - Engenho Carnijó

Rio Jaboatão - bairro N.S de Fátima

Matriz da Conceição

Casa-grande do Engenho Gurjáu de Cima

Paço Municipal

Engenho Novo da Conceição

Cambiteiro - Córrego dos caboclos

Engenho Una

Engenho Pocinho

Engenho Jussara

Fábrica do Engenho Jussara

Cachoeira Engenho Seva

Ruínas do antigo Povoado de Buscaú

Por do sol em Moreno

Engenho Caraúna

Bueiro do antigo Engenho Bom Dia

Rio Jaboatão

Engenho Catende

Cachoeira Engenho Brejo

Vista da Cidade do Moreno

Vale do Arariba - povoado de Massaranduba

Rio Jaboatão - bairro de N.S da Conceição

Morro Buscaú - torres da Embratel

Vila Operária

Engenho Pintos

Engenho Jaboatão

Engenho Pereiras

Engenho São Braz

Fábrica do Engenho Xixaim

Engenho Floresta

Roda do Engenho Seva

Capela de São Braz

Engenho Javunda
Vale no Engenho Contra-açude

Ruínas da casa-grande do Engenho Contra-açude





segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Paisagens de Moreno

Por James Davidson

Como produto de minhas andanças e pesquisas pelas terras do município do Moreno, editei o seguinte vídeo intitulado "Paisagens de Moreno". Segue o vídeo:


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Retomada do Blog

Prezados leitores a admiradores do Blog Moreno Redescoberto

Saudações

Há quase 10 anos atrás tive a iniciativa de criar uma página virtual que tinha como finalidade principal divulgar os valores desconhecidos e as preciosidades encobertas do nosso querido município do Jaboatão dos Guararapes. O Blog Jaboatão dos Guararapes Redescoberto foi um dos primeiros blogs sobre nossa cidade, inspirando inclusive a criação de muitos outros com temáticas parecidas em nosso município e, também, com a mesma temática em outros municípios do Brasil todo. Foi um trabalho maravilhoso de resgate da autoestima jaboatonense através de postagens sobre os mais variados fatos de nossa história, de lugares escondidos e curiosos, sobre o nosso rico e valioso patrimônio histórico e natural, não ignorando também os problemas políticos, ambientais e sociais de nosso lugar. A contribuição desta página para a sociedade jaboatonense, modéstia à parte, acredito ser indiscutível, embora meu trabalho tenha sido na maioria das vezes ignorado pelos poderes públicos do município, tendo recebido poucas vezes a merecida atenção e o reconhecimento pelo mesmo. Todavia, como nunca fiz isto em busca de promoção pessoal, nem política, pois inicialmente meus objetivos sempre foram mais científicos e sociais que monetários, continuei mesmo assim na jornada de alimentar este blog, apesar das críticas destrutivas que recebi de alguns e das dificuldades mais variadas que se puseram ao meu caminho.
Porém, a maior das dificuldades que enfrentei em manter este blog não sobrevieram do contexto político local, como alguns julgam injustamente, mas sim por dificuldades na minha vida pessoal e particular. Comprometi minha saúde de forma significativa, inicialmente correndo atrás de um sonho de formalizar minhas pesquisas espontâneas com a vida acadêmica, na ingenuidade de acreditar que a universidade fosse um espaço aberto às descobertas e novos horizontes. Ingressei no mestrado em Arqueologia em 2012, após uma tentativa frustrada anterior por motivos que não cabem aqui relatar, mas que foram de sobremaneira injustos. Investir o todo o meu tempo disponível, o pouco meus recursos e de minhas energias em prol do mestrado para ter, infelizmente, meu esforço desprezado e desvalorizado por pessoas que ostentam o título de doutores, mas que não são dignas disso, por não terem o caráter e a imparcialidade necessárias para serem cientistas. Descobri infelizmente que a Academia de hoje tornou-se aquilo que um dia pretendeu não ser: dogmática, autoritária, sofista, demagógica, farisaica, inquisitória, mais semelhante à Igreja Católica Medieval que de fato à um espaço democrático de inovação e de pesquisa. Assim, tive que infelizmente abandonar o mestrado e comprometendo, com isso, boa parte das pesquisas que alimentavam esta página.
Posteriormente, tive que dividir minhas atenções com o município do Moreno, ao qual estou vinculado desde 2010 como funcionário público e professor, contribuindo para esse município, tanto com a criação de um blog semelhante para o mesmo: o Blog Moreno Redescoberto, tanto com a criação de uma apostila sobre a geografia do mesmo, tendo sido distribuída entre os diretores do município. À essa época, tinha sido convidado pelo então secretário de Educação Alilton Gomes para desempenhar a função de Coordenador de Geografia na Secretaria de Educação do Moreno, onde, ocupando cargo não comissionado, mas previsto no Estatuto do Magistério local, desempenhei minhas funções com dedicação e com o orgulho de fazer o melhor para o município, independente da situação política do mesmo, tendo a consciência limpa de não ter prejudicado à ninguém durante o tempo em que ali estive. Participei da elaboração das duas Conferências Municipais de Educação (2013 e 2015) e do Plano Municipal de Educação, sendo este último elaborado com muita dedicação e com a plena consciência de sua idoneidade, legalidade e total respeito ao que foi decidido na conferência aberta à população.
Participei da fundação de duas Academias de Letras: a ALJG (Academia de Letras do Jaboatão dos Guararapes) e AMLA ( Academia de Letras e Artes do Moreno), publiquei meu livro Memórias Destruídas após muitos empecilhos e dificuldades, e ainda iniciei a elaboração de vários outros trabalhos que, infelizmente, continuam incompletos, como um Livro sobre Muribeca dos Guararapes, um livro sobre o Patrimônio Histórico do Jaboatão e um livro sobre o município do Moreno. Todavia, apesar de meus esforços e valiosos trabalhos, sofri várias injustiças no último ano de 2015 e fui acometido por isso por um sério transtorno de ansiedade que resultou em várias idas e vindas aos hospitais, acompanhado de várias crises de cefaleias e enfado, o que prejudicou o meu desempenho em todas as minhas atividades no final do ano passado. Contudo, após três anos consecutivos, tive finalmente o direito de gozar de férias completas no mês de janeiro deste novo ano, acreditando assim ter recebido o merecido repouso depois de tantas atividades e realizações.
Por isso, venho aqui justificar que, até então ,não vinha sendo possível alimentar o blog da maneira que ele merecia ser atendido, tendo paralisado as minhas atividades por um tempo. Porém, venho hoje retomar as atividades do mesmo com esta postagens, esperando assim com a Graça do SENHOR continuar esse valioso trabalho que é valorizar a Memória e a Cultura de todo o Vale do Rio Jaboatão. Agradeço a compreensão de todos e conto com vossas orações.
 
James Davidson
 
 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Mapa da Bacia do Jaboatão

Por James Davidson

Publico aqui um mapa da Bacia do Jaboatão disponível no Relatório sobre a Barragem do Engenho Pereiras
Fonte: ITEP

Bacia do Jaboatão Fonte: ITEP