terça-feira, 29 de maio de 2012

Capelas de Engenhos de Moreno

Por James Davidson

Antiga Capela do Engenho Catende - destruída

Os engenhos do município de Moreno ainda conservam muito de seus antigos edifícios. Se comparado com os engenhos de outros municípios como Jaboatão dos Guararapes, os engenhos de Moreno encontram-se mais preservados. Muitos ainda mantém suas casas-grandes, fábricas, senzalas e capelas. E entre os elementos que se destacam, entre aqueles que se preservam, estão as capelas de engenho.

Foto do Engenho Gurjaú de Cima mostrando sua antiga Capela de São Miguel  - hoje destruída

As capelas era o centro da vida social do engenho. Local de encontro sociais nas festas religiosas, casamentos, batizados, etc. Sem falar das missas realizadas durante o início da moagem, durante a festa conhecida como "botada", quando então eram benzidas as moendas antes a moagem da primeira safra. Era a principal festividade que acontecia nos engenhos.

Capela do Engenho Pocinho

Geralmente os engenhos mais importantes sempre possuíam capelas. Já os engenhos menores às vezes contavam apenas com simples oratórios, situados em algum cômodo interno da casa-grande. É o caso, por exemplo, da casa-grande do Engenho Pintos que ainda conta com um oratório interno. Algumas capelas de engenhos foram destruídas por falta de conservação de seus senhores, mas algumas resistem aos infortúnios do tempo e mantém-se em pé marcando a paisagem da zona rural. Os Engenhos que ainda conservam suas capelas no município são os seguintes: Pocinho, Morenos, São Braz, Una e Queimadas.

Capela do Engenho Una

O Engenho Pocinho, situado próximo à Br 232, Estrada para Matriz da Luz, possui além da casa-grande, uma capela datada de 1840. Missas e retiros ainda são realizados no local. Próximo dali, o Engenho Una que também mantém sua capela de engenho, cuja data de construção é incerta. A capela do Engenho Pocinho é de invocação de São Vicente Férrer, enquanto a do Engenho Una sob invocação de N.S da Luz.


Capela do Engenho Morenos

A capela do Engenho Moreno ou Morenos, sob a invocação de N.S Auxiliadora, fica situada no alto de uma colina, às margens do BR 232. Provavelmente deve ter sido construída e reconstruída desde o período colonial, mas conseguindo manter-se até hoje sob o zelo dos proprietários. Não é o caso da Capela de São Braz, também pertencente ao município de Moreno e que se encontra abandonada e em ruínas. O Engenho São Braz é um dos mais antigos engenhos do município e sua capela, construída em estilo barroco, é de meados do século XVIII.

Capela do Engenho São Braz

Há ainda a Capela do Engenho Queimadas, situada em Bonança. Este engenho servia de limite entre o município de Moreno e Vitória de Santo Antão e conta com um antigo cemitério à direita de sua capela. A capela encontra-se em ruínas e sua invocação era N.S da Luz.

Capela do Engenho Queimadas

Alguns engenhos tinham suas capelas há até bem pouco tempo atrás. É o caso do Engenho Gurjaú de Cima, com sua capela dedicada a São Miguel, que caiu na década de 1990 pelas intempéries ambientais. Já a Capela do Engenho Catende, datada de 1745, foi destruída para a construção da Escola Dom Jaime Câmara.

Ruínas da Capela de São Miguel - Engenho Gurjaú de Cima

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Cachoeiras de Moreno

Por James Davidson


Moreno é um município que conta com um grande potencial turístico ainda muito pouco aproveitado. São muitos os atrativos espalhados por todo o município e que são, de uma forma geral, bem pouco conhecidos. Entre estes, as cachoeiras são destaque por sua imensa beleza, pela pureza de suas águas e pelo isolamento e distância que as mantém ainda muito bem preservadas.



Duas são as principais cachoeiras do município de Moreno. Existem outras menores, mas estas duas merecem ser conhecidas: a Cachoeira do Engenho Brejo e a Cachoeira do Engenho Seva.


A cachoeira do Engenho Brejo fica localizada próxima à antiga sede do referido engenho. Situada numa área de difícil acesso, com ladeiras sinuosas e curvas íngremes, está cercada por uma parcela de Mata Atlântica relativamente bem preservada. O Rio Gurjaú, cuja nascente verdadeira fica no Engenho Buscaú próximo às Torres, forma a imensa queda d'água que parece possuir quase uns dez metros de altura. Esta cachoeira é citada por Sebastião Honorato, autor do século XIX, que dizia que o Rio Gurjaú "precipitava-se sobre umas cascatas". É realmente muito bonita, mas a área não está mais recebendo visitas, infelizmente.



A outra cachoeira de destaque é a existente no Engenho Seva, próximo ao Povoado de Massaranduba. Seva é um dos últimos engenhos do município de Moreno e o único que conserva sua histórica Roda D'água. A cachoeira é acessada por uma bela trilha dentro da Mata Atlântica que dá um charme a mais no atrativo. Formada pelas águas do Riacho Laranjeiras, um dos afluentes do Rio Jaboatão, a cachoeira apresenta-se bem aconchegante no meio da mata. Apesar de menor que a cachoeira do Engenho Brejo, parece ser mais acolhedora e segura. O Engenho Seva chegou a tentar por em prática um projeto de visitação turística, mas que não foi posto para frente. É uma pena porque o local tem realmente um potencial enorme!


Matéria sobre o Engenho Pintos

Por James Davidson

Após a realização da audiência pública sobre a Barragem do Engenho Pereiras em Moreno, o Jc fez a seguinte matéria e vídeo abaixo:

Disponível em:http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/noticia/2012/03/20/parte-de-moreno-sera-inundada-para-evitar-cheias-futuras-36387.php


Parte de Moreno será inundada para evitar cheias futuras

Estrutura será construída no Rio Jaboatão e vai inundar entorno da casa-grande do Engenho Pintos. Compesa promete fim da falta d'água na área sul da RMR


Às margens do Rio Jaboatão, em Moreno, a área no entorno da casa-grande do Engenho Pintos, distante 16 quilômetros do Centro, será inundada com a construção de uma barragem. O objetivo da estrutura é acabar definitivamente com as cheias que costumam afetar o município e parte de cidades vizinhas como Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, e Vitória de Santo Antão, Zona da Mata.
O empreendimento terá como responsável a Compesa, que também promete acabar com problemas de falta d'á-gua na região. Apesar de o projeto prever apenas a inundação do Engenho Pintos, a nova barragem ganhará o nome do Engenho Pereira, que fica ao lado do espaço destinado ao reservatório.
Além de destruir o que restou da estrutura do engenho secular, o empreendimento atingirá terras de um assentamento rural que abriga 400 famílias. São pessoas que conquistaram o direito de viver por lá, há 15 anos, e outras que receberam moradias por herança. Para quem depende da terra para tirar o sustento, a notícia da construção da barragem chegou de repente e assustou.

"É como uma bomba que vai cair nas nossas cabeças. A gente escuta falar nessa obra há muito tempo, mas todo mundo acreditava que era boato. Víamos os pesquisadores entrarem nas terras, mas ninguém nunca chegou para explicar o que ia acontecer no engenho", afirma a agricultora Edna Maria da Silva, 44 anos, uma das responsáveis pela Associação dos Parceleiros do Assentamento Herbert de Souza.

O território do Engenho Pintos é dividido em 147 lotes, administrados por pequenos agricultores. Muitos começaram a ocupar os terrenos com lonas. Atualmente, cada um tem seu espaço e todos plantam nas áreas comuns. Nem todas as casas do assentamento vão ser inundadas, mas quem vai ter que mudar de endereço teme o difícil recomeço.
"Trabalhar a terra do zero, encontrar um lugar tão bom para plantar, com um rio maravilhoso como o que temos aqui do lado de casa vai ser muito difícil. Todo mundo aqui é apegado a essas terras, ver acabar tudo é cruel", diz a agricultora Betânia Francisca da Silva, 37. A família de Cleide Josefa dos Santos, 46, foi criada no engenho e não pensa em outro lugar para morar. "É o nosso paraíso. A gente planta de tudo e é muito tranquilo", conta.
Caberá à Compesa recompensar as famílias pela destruição de suas casas. "Cada morador vai ter o direito de escolher se prefere ser indenizado ou reassentado. O valor da indenização e os detalhes dessa negociação ainda serão acertados", disse o diretor regional metropolitano da Compesa, Rômulo Aurélio de Melo, durante audiência pública ocorrida na última quinta-feira no Centro de Moreno.

Na ocasião, foi apresentado à população o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da barragem, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep). De acordo com a coordenadora técnica da instituição, a geógrafa Edvânia Torres Aguiar Gomes, uma das ações de redução de impacto ambiental que deverá ser posta em prática pela Compesa é o replantio das espécies encontradas na área a ser inundada.

Os animais identificados no engenho deverão ser encaminhados para outros territórios e os peixes tenderão a buscar outras áreas quando perceberem a mudança no meio, que acontecerá gradualmente. O Rima da Barragem do Engenho Pereira está disponível no site da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). Ainda não há previsão de data para o início das obras.

domingo, 4 de março de 2012

Audiência pública sobre Barragem no Rio Jaboatão será dia 15/03

Por James Davidson



A CPRH, Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos estará realizando uma audiência pública para discutir a construção da Barragem do Rio Jaboatão no Engenho Pereiras, em Moreno.  O evento será realizado no dia 15 de março no Sociète Esporte Clube, próximo a Praça da Bandeira, no centro de Moreno, às 9:30 hs. Talvez o evento conte com a participação e a presença do Governador do estado Eduardo Campos.

A obra será construída nas terras do antigo Engenho Pereiras e tem como finalidade principal conter as enchentes do Rio Jaboatão. Além disso, pretende fornecer água para a cidade de Moreno e para Bonança, diminuindo o racionamento nessas localidades. O estudo de Impacto ambiental será apresentado e os questionamentos da população deverão ser respondidos.

Infelizmente, o autor deste blog estará de viagem nesse dia, não podendo comparecer. Porém, venho através deste convocar a todos os jaboatonenses e morenenses a participarem do evento. Sugiro alguns questionamentos que julgo importantes para o evento:

1- Qual o destino da população da área que vai ser inundada?
2- Se forem indenizados, qual o valor? É um valor justo?
3- O Engenho Pintos, com seu antigo sítio histórico, vai ser inundado, o que pode ser feito para salvar o patrimônio?
4- Jaboatão Centro não usufrui da água da Represa de Duas Unas, também será excluído da água dessa nova represa?
5- Será feito algum estudo arqueológico na região?

Acredito que essas questões poderão ser resolvidas e esclarecidas durante o evento. Mas pra isso é preciso que a população participe, esteja por dentro do projeto e discuta estes e outros itens. O exercício da verdadeira cidadania exige a participação da comunidade diretamente atingida.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Capela do Engenho Catende

Por James Davidson
A primitiva Capela do Engenho Catende

Quem visita a atual Matriz de N.S da Conceição em Moreno muita vezes não imagina que aquele templo não foi o primeiro construído na cidade. Antes, próximo dali, onde atualmente se encontra a Escola Estadual Dom Jaime Câmara, existia no cimo do morro o que seria hoje um dos mais antigos edifícios do município - A Capela do Engenho Catende. Construída em 1745, foi edificada por ordem do Capitão-mor de ordenanças da Freguesia de Santo Amaro de Jaboatão - Domingos Bezerra Cavalcanti.

Sob a invocação de São Sebastião, a capela serviu de matriz até 1930, quando foi substituída pela atual Matriz da Conceição. Em 1973, porém, veio a destruição. Para realizar a construção da atual escola, e de acordo com o ex-prefeito João Carneiro da Cunha, com o apoio do engenheiro Airton Almeida Carvalho, diretor regional do IPHAN, demoliram a velha igreja. E assim, parte da história da cidade desapareceu junto com ela.

A antiga Capela do Engenho Catende é só um dos vários capítulos de destruição do patrimônio em Pernambuco. Muito poderia ser preservado se nosso país soubesse conciliar as necessidades do presente com os remanescentes do passado. Porém, parece que nós brasileiros não conhecemos nem valorizamos ainda o valor de nossa própria cultura.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Engenho que inspirou romance em Moreno

Por James Davidson


Um fato que poucos morenenses conhecem: um engenho do município serviu de inspiração para um romance.  Foi o Engenho Floresta situado na zona rural de Moreno. É o que conta Hilton Sette filho do famoso escritor pernambucano Mário Sette, autor de vários livros. Segundo ele, foi ao visitar o Engenho Floresta, durante o início do século XX, que o autor despertou o desejo de escrever o romance Senhora de Engenho. Ali, ao contemplar a paisagem bucólica da vida campestre, o autor encontrou a inspiração que levou ao enredo do romance.


Na época, o Engenho Floresta pertencia à Elise de Souza Leão, casado com um parente do autor. A casa-grande ainda preserva a escada de pedra que dá acesso ao terraço vislumbrada por ele. Hoje o engenho é uma fazenda de gado e já não conta mais com tantos moradores como na época de sua visita, porém ainda mantém muito daqueles "locus amoenus" que Mário Sette encontrou.