terça-feira, 1 de julho de 2014

Posse da Academia Morenense de Letras e Artes - AMLA

Por James Davidson



No dia 07 de junho de 2014 foi realizada a cerimônia de Posse da Academia Morenense de Letras e Artes - AMLA, instituição sem fins lucrativos que busca reunir artistas, poetas e escritores a fim de fortalecer a cultura do município do Moreno. A AMLA foi fundada com apenas 14 membros, mas há uma expectativa que o número de componentes cresce ao longo do tempo tendo em vista que muitos foram convidados para participar, mas devido a uma série de circunstâncias não puderam tomar posse. Além disso, mesmo aqueles que não receberam convite, mas que tenham o legítimo interesse em colaborar podem vir a fazer parte do rol de acadêmicos pois o espaço estará sempre aberto a receber os representantes da cultura morenense. Assim, divulgamos aqui algumas imagens da festa de posse acontecida na noite de 07 de junho no Casarão do Engenho Catende. Também não podemos de deixar de agradecer à Academia Escadense de Letras - AELE, por todo o esforço empreendido na fundação de nossa academia, inclusive na condução e organização do evento. Agradecemos á Prefeitura do Moreno pela concessão do espaço para o evento bem como no apoio nas demais solicitações.  Aos acadêmicos que não mediram esforços em colaborar na construção da mais nova Academia de Letras de Pernambuco. A todos que se fizeram presentes e que colaboraram na construção do evento!

















domingo, 1 de junho de 2014

Moreno cria Academia de Letras

Por James Davidson



A Cidade do Moreno terá a oportunidade no próximo sábado, dia 07/06, de presenciar a fundação de sua primeira Academia de Letras do município. A Academia Morenense de Letras e Artes - AMLA, será composta por escritores, poetas, professores e artistas do município do Moreno e será um grande marco cultural para a cidade do Moreno. 
O evento, que será realizado na Sede do Casarão de Catende, às 18:00 contará com a presença de vários representantes das demais Academias Pernambucanas, além de vários artistas, escritores, poetas e representantes das autoridades locais. Na ocasião tomarão posse 14 acadêmicos que terão seus nomes imortalizados na história do município, entre eles o autor deste blog. As 14 cadeiras terão como patronos pessoas ligadas à história e à cultura do município já falecidas, como as professoras Sevy Rocha e Brandina Rocha, o saudoso professor José Alvino, Baltazar Moreno, entre outros. 
É importante ressaltar que a criação da Academia Morenense de Letras e Artes somente foi possível graças ao apoio e incentivo da Academia Escadense de Letras - AELE - que além de dar todo o apoio necessário, serão os padrinhos da AMLA, dando assim o respaldo necessário para a criação da Academia de Moreno. Agradecemos a AELE por esse apoio, bem como ao companheiro Gedson, do Blog Cultura Morenense que foi o autor do Brasão da Academia. Também foi indispensável a presença de Celma Pereira, que coordenou e articulou tudo que foi necessário para a criação da AMLA, reunindo as pessoas certas para a Academia, bem como o apoio da pessoa de Sanclair Costa, atual vice-prefeito do município, e de sua irmã Suely Costa, que desde o início veem contribuindo de forma significativa para a fundação da Academia Morenense de Letras e de Artes. Desde já, divulgamos aqui a toda a sociedade morenense mais um grande avanço para a Cultura, para as Artes e para as Letras do município!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O Engenho Catende

Por James Davidson


O Engenho Catende está localizado no Centro da Cidade do Moreno. Foi nas terras desse engenho que se desenvolveu a atual Cidade do Moreno, a partir da compra do engenho pela fábrica da Société Cotonnière Belge Bresilienne, na primeira década do século XX. Assim, apesar de se chamar "Moreno", foi nas terras do Engenho Catende que Moreno se desenvolveu, e não nas terras do Engenho Moreno.


Mas a história do Engenho Catende é muito mais antiga que da cidade. Já em fins do século XVI e início do século XVII, encontramos referências ao Engenho "Nossa Senhora Conceição", situado no Vale do Rio Jaboatão. Consultando-se os mapas de Vingboons e de Marcgraf, elaborados no período holandês, percebe-se claramente que esse Engenho N.S. Conceição ficava localizado a oeste do Engenho Bulhões (São João Batista), subindo o Rio Jaboatão, à sua margem esquerda. Esse Engenho Conceição não era outro senão o atual Engenho Catende.


Durante o Domínio Holandês, o engenho pertencia a Antônio Pereira Barbosa que, com a invasão dos flamengos, fugiu para a Bahia abandonando sua propriedade. Assim, o Engenho Conceição foi confiscado e vendido aos holandês Servaes Carpentier. O engenho moía a água. Depois da invasão holandesa, o Engenho Catende teve outros proprietários até que, em meados do século XVIII, estava em posse de Domingos Bezerra Cavalcanti.



Diz a tradição oral que Domingos Bezerra Cavalcanti era o típico cruel e autoritário senhor de engenho. Segundos as lendas correntes, o mesmo enterrava vivo nas paredes de suas casas os escravos que lhe provocavam a ira. Assim, há quem acredite que o Casarão de Catende guarde em suas paredes esqueletos de escravos emparedados.


Domingos Cavalcanti era dono de vastas extensões de terras. Era dono de todos os engenhos situado entre Jaboatão e Tapera, inclusive os Engenhos Bulhões e Morenos. Construiu a Capela do Engenho Catende, em 1745, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, posteriormente mudada para a invocação de São Sebastião. Esta ficava localizada no alto da colina, bem acima da casa-grande, voltada para a direção nordeste. Foi destruída em 1973 para a construção da Escola Cardeal Dom Jaime Câmara.

O Casarão do Engenho Catende recebeu a visita do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina, na volta de sua visita a Vitória de Santo Antão. Os monarcas almoçaram e descasaram no engenho, no dia 20 de dezembro de 1859. Nesta época o engenho pertencia a Antonio Pereira da Silva. Posteriormente, este vende a propriedade, em 1875, ao Barão de Morenos.


O Engenho Catende é adquirido, em 1907, pela companhia belga Société Cotonnière Belge Bresilienne por 108 contos. Embora a empresa instale a fábrica em outra parte da propriedade, os edifícios do antigo engenho permaneceram no local. Até uma fábrica de café chegou a existir onde era a fábrica de açúcar do engenho. A Casa-grande era popularmente conhecida como "Sobrado Velho do Tamboatá". A senzala ficava localizada numa rua atrás do casarão.

Durante a primeira administração do prefeito Edvard Bernardo, o casarão de Catende passou por uma reforma, pois o mesmo se encontrava abandonado e em estado precário de conservação. Porém, a reforma descaracterizou partes do edifício, como o piso do pavimento superior, gerando muitas críticas por parte da população. Hoje o edifício abriga a Guarda Municipal do Moreno e também sedia várias atividades festivas e culturais.

sábado, 1 de março de 2014

Bacia do Rio Jaboatão

Por James Davidson




A bacia do Rio Jaboatão está localizada no Estado de Pernambuco, Nordeste do Brasil, abrangendo uma área de 413 km², entre as coordenadas 8°00’ e 8°14’ de latitude sul e 34°50’ e 35°15’ de longitude oeste. Drena os municípios de Recife, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, São Lourenço da Mata, Cabo de Santo Agostinho e Vitória de Santo Antão, sendo uma das bacias mais importantes do Grande Recife.

Rio Jaboatão na altura da Usina Bulhões
 
Rio Jaboatão no Engenho Jaboatãozinho


Junto com as bacias dos rios Tejipió, Pirapama, Massangana e Jordão, ela é classificada como sendo do Grupo GL2 (Grupo de pequenos rios litorâneos) pela CPRH (Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos). A temperatura média anual da bacia é de 24°C e a média das precipitações são sempre acima de 1500mm anuais. O clima é do tipo ams’, segundo a classificação de Köeppen. O período de chuvas desenvolve-se entre os meses de março e agosto.

Rio Jaboatão em trecho da Cidade do Moreno

Rio Mussaíba, afluente do Jaboatão
O Rio Jaboatão é o rio principal da bacia, possuindo 75 Km de comprimento e desembocando no Oceano Atlântico. Sua foz encontra-se na Praia de Barra de Jangadas, em Jaboatão dos Guararapes, e sua nascente encontra-se em terras do Engenho Pacas e Arandú de Cima, em Vitória de Santo Antão. Seus principais afluentes são os rios Duas Unas, Mussaíba, Manassu, Muribequinha, Suassuna, Laranjeiras, Caiongo, Contra-açude, Carnijó, Una, Xixaim, entre outros.

Cachoeira no Riacho Manassú, afluente do Jaboatão
Início do baixo Curso do Rio Jaboatão - Bairro de Marcos Freire
 
A Bacia hidrográfica do Rio Jaboatão é de grande importância para a RMR, pois além de possuir expressiva área de abrangência nesta, contribui significativamente para o abastecimento da região. Para isso, possui diversas represas e açudes em seus afluentes, com captação pela COMPESA, destacando-se a Represa de Duas Unas, 4° maior da RMR em atividade.

Trecho do Rio Jaboatão entre os municípios do Moreno e do Jaboatão

Porém, apesar de sua importância, a bacia do Rio Jaboatão vem sofrendo inúmeros impactos ambientais que vem prejudicando a fauna, flora e a qualidade da vida das pessoas da região. Entre estes impactos, destaca-se o despejo de resíduos industriais os mais diversos nos rios, os dejetos residenciais sem tratamento nos cursos d’água, o desmatamento desenfreado, o despejo de lixo e a ocupação irregular das margens fluviais, entre outros. Tudo isso contribui para que o Rio Jaboatão seja um dos rios mais poluídos e degradados do Estado de Pernambuco.

Contaminação do Rio Jaboatão em Jaboatão Centro

Atividade impactante nas margens do Rio Duas Unas

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Blogs Geográficos

Por James Davidson

A fim de dar apoio aos professores de Geografia do município do Moreno, selecionei uma lista de páginas com propostas de atividades a serem realizadas em sala de aula. São atividades em geral atrativas para o aluno e de fácil aplicação pelo professor em sala. Confira abaixo essa lista:

Blog Geoprofessora
http://geoprofessora.blogspot.com.br/

Diretoria de Ensino Fundamental - Geografia
http://fundamentalgeosv.blogspot.com.br/

Blog Geocriativo
http://geocriativo.blogspot.com.br/

Geointernautas
http://geointernautas.blogspot.com.br/

Panorama Geográfico
http://panoramageografico.blogspot.com.br/

Coelho da Cartola
http://coelhodacartola.blogspot.com.br/

Geografia Hoje
http://geografianovest.blogspot.com.br/

Estudando Xeografia
http://estudandoxeografia.blogspot.com.br/

Geografia Nossa
http://geografianossa.blogspot.com.br/

Clube da Geografia
http://geointocaveis.blogspot.com.br/

A Nossa Geografia
http://anossageografia.blogspot.com.br/

Linguagem Geográfica
http://linguagemgeografica.blogspot.com.br/

Mapas para Colorir
http://www.mapasparacolorir.com.br/

SuperGeografia
http://supergeografia.blogspot.com.br/

Geografia para todos
http://andergeo2012.blogspot.com.br/

Sala de Aula
http://jaorisa2013.blogspot.com.br/

Geografando
http://f1colombo-geografando.blogspot.com.br/

Geografalando
http://geografalando.blogspot.com.br/

Geografia física online
http://geografiafisicaonline.blogspot.com.br/

Só Geografia
http://www.sogeografia.com.br/

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O Ponto mais alto do município do Moreno

Por James Davidson

Morro da Pedra Pelada

O relevo do município do Moreno é, de uma forma geral, bastante movimentado. Desenvolvido sobre rochas cristalinas, o território morenense é todo constituídos por outeiros, colinas e morros, com altitudes que variam entre 50 até quase 400 metros. Dentre estes, algumas elevações ganham destaque na paisagem, inclusive na cidade, onde alguns altos alcançam mais de 100 metros, podendo deles inclusive avistar as cidades vizinhas. No caso da Serra da Mata da Onça, por exemplo, é possível avistar até o Oceano Atlântico.

Vista da Pedra Pelada

Mas a definição de qual dos morros do município era o mais alto parecia constituir uma grande enigma. Em seu Guia Histórico, Cultural e Informativo do Moreno, o jornalista João Carneiro da Cunha afirma que "o ponto culminante é a Serra onde foi implantada a Torre da Embratel, no Povoado de Buscaú". Referia-se ao morro situado no Engenho Buscaú que ainda hoje mantém as torres da Embratel. Porém outras fontes afirmam que a Pedra Pelada ou Selada, também em Buscaú, era o ponto mais alto, enquanto alguns afirmam que é a Pedra Corre-Moleque no Engenho Seva.

Morro da Mata da Onça em Moreno

Morro das Torres de Buscaú

Com base numa carta topográfica na escala de 1: 25.000 cm obtida na Sudene, foi possível verificar as seguintes altitudes para os referidos morros: 370 metros para o Morro das torres de Buscaú; 386 metros para a Pedra Corre-Moleque; 371 metros para a Pedra Pelada; e ainda entraria na disputa a chamada "Chã dos Coqueiros, no Engenho Bela Vista, com 378 metros. Assim, segundo a carta, teríamos a Pedra Corre Moleque como o ponto mais alto, Chã dos Coqueiros em segundo, Pedra Pelada em terceiro e o Morro das Torres amargaria apenas a quarta colocação.

Pedra Corre-Moleque - Engenho Seva

Porém, quem visita a região percebe que aparentemente não é bem assim. O problema é que a diferença de altitude entre essas elevações é de apenas poucos metros e a maioria dos valores disponíveis na carta são apenas aproximações, não constituindo medições exatas. Assim, a margem de erro nesse caso é significativa. O ideal seria visitar todos esses pontos com mais de um altímetro e GPS para poder determinar qual o mais alto. As dificuldades de acesso aos locais e aos equipamentos, porém, dificultam por enquanto esta avaliação.

Ponto mais alto da Pedra Pelada

Estivemos porém, naquele que realmente indica ser o ponto mais alto do município do Moreno. A Pedra Pelada ou Pedra Selada, como também é conhecida, claramente se apresenta mais alta que as demais elevações citadas quando observada de diversos pontos do município. E a visita ao local, in loco, só fez confirmar essa suposição, pois mesmo a Pedra Corre-Moleque aparenta estar em nível mais baixo, assim como as demais elevações citadas. A altitude medida com um GPS foi calculada em 384 metros.

Vista da Pedra Pelada

A paisagem no local apresenta-se fascinante. Constituída por dois morros contíguos, a visão da Pedra Pelada é de admirar a qualquer visitante. O primeiro faz jus ao nome de Pedra Pelada, pois constitui uma grande rocha cristalina desnuda, donde é possível avistar grande parte do município do Moreno e terras de municípios vizinhos tais como Recife, Jaboatão, São Lourenço da Mata, Vitória de Santo Antão, Cabo de Santo Agostinho, Escada e Ipojuca, inclusive o Porto de Suape. O segundo morro, mais elevado, é coberto de Mata Atlântica, destacando-se uma única árvore sobressaindo-se das demais. Por conta da densa vegetação, dele nada é possível avistar da paisagem ao redor.

Vista da Pedra Pelada

Vista da Pedra Pelada

A riqueza da flora da Pedra Pelada é outro ponto de destaque. A Mata Atlântica ainda resiste em alguns pontos, principalmente no cume principal, mas está ameaçada pelos avanços dos canaviais. Sobre a rocha, prevalecem as bromélias, arbustos, cactáceas e outras espécies nativas da região. Há também o cultivo de eucaliptos no entorno.

Pedra Pelada com vegetação nativa

A Pedra Pelada é mais um recanto pitoresco do município que os morenenses precisam conhecer!

Espécie de bromélia nativa

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ferrovias de Usinas em Jaboatão e Moreno

Por James Davidson

Maria Catita

Os municípios do Jaboatão dos Guararapes e do Moreno já possuíram, cada um, mais de 40 engenhos de cana-de-açúcar, cada um com sua fábrica e produção própria. Porém, no final do século XIX, iniciou-se um processo de modernização da produção açucareira, através da criação das usinas e dos engenhos centrais. A usina consistia num processo de produção mais moderno, em escala industrial, que demandava uma quantidade de matéria-prima muito maior que o simples engenho. Assim, os engenhos que não se transformaram em usina, acabaram virando apenas fornecedores de cana, ficando de "fogo morto". Este processo de transformação da produção açucareira não foi uniforme em todas as regiões, mas até a metade do século XX, todos os engenhos do Vale do Jaboatão já estavam na dependência direta ou indireta de alguma usina.

Ruínas da Usina Jaboatão

Para atender a demanda por mais matéria-prima, ou seja, por mais cana-de-açúcar, a usinas adotaram, inicialmente, o transporte ferroviário como alternativa mais viável e econômica. Assim, ainda no final do século XIX, iniciou-se a construção de ferrovias ligando as usinas aos vários engenhos que forneciam cana. As três usinas que se instalaram em Jaboatão tinham seus ramais ferroviários que as ligavam aos engenhos de sua área de influência, e que também se comunicavam com as ferrovias públicas estatais. Vejamos cada uma delas.

Município do Jaboatão - Enciclopédia dos Municípios/IBGE

A Usina Muribeca foi uma das primeiras usinas a ser criada no Estado de Pernambuco. Situada em terras do Engenho Recreio, funcionou até 1965, quando abriu falência. Suas terras foram loteadas e hoje formam diversos bairros da área de Muribeca. Pertenciam a esta usina os engenhos Guararapes, Recreio, Conceição e São Severino, além de arrendar safras de vários outros engenhos vizinhos. Possuía dois ramais ferroviários. O primeiro partia da Usina e seguia por 4 quilômetros em direção leste até o Engenho Guararapes, enquanto o segundo seguia em direção contrária, no rumo oeste, partindo da mesma usina e atravessando os engenhos Recreio, Conceição e São Severino, para depois se unir à ferrovia da Usina Jaboatão. Parece ter existido também, além destes, dois outros ramais ferroviários dos quais um seguia em direção sul, atravessando o Rio Jaboatão e passando pelo Engenho São Bartolomeu, seguindo até as pedreiras de Comportas. O outro seguia em direção oeste, pelo vale do Rio Muribeca, unindo os engenhos Muribequinha, Capelinha, Salgadinho e Camarço.

Município do Moreno - Enciclopédia dos Municípios/IBGE

A ferrovia da Usina Jaboatão era ligada com a Estrada de Ferro Central de Pernambuco, no ponto conhecido como "Estrela", em Jaboatão Centro, na antiga Praça dos Caçadores. Seguia daí pela rua Câmara Lima (Beco da Colônia) até a sede da Usina Jaboatão, onde se bifurcava em dois ramais. O primeiro descia pelo Riacho Suassuna até se encontrar com a ferrovia vinda da Usina Jaboatão. O segundo subia o mesmo riacho em direção aos Engenhos Palmeiras e Macujé. Antes, porém, formava um novo ramal, na altura da Colônia Salesiana, que seguia em direção ao sul e que veio a ser o principal tronco ferroviário da Usina Jaboatão. Este ramal ferroviário seguia até o Engenho Penanduba, onde tomava o rumo oeste, atravessando os engenhos Camarço e Secupema. Penetrava no município do Moreno em terras do Engenho Canzanza, seguindo daí em diante pelos engenhos Caraúna e Gameleira até chegar no Engenho Javunda, num percurso com mais de 16 quilômetros! Do Engenho Javunda saía ainda um pequeno ramal ao norte, até a metade do caminho para o Engenho Pereiras, e outro ao sul, que se comunicava com a ferrovia vinda da Usina Bom Jesus, no Engenho Cumarú.

Município de São Lourenço da Mata -  Enciclopédia dos Municípios/IBGE

Já o domínio canavieiro da Usina Bulhões eram mais para o norte, penetrando no território de São Lourenço da Mata e chegando até o Povoado de Matriz da Luz. Seu início era na Estrada de Ferro Central, diante da Usina, em Jaboatão Centro, seguindo em direção norte pelo vale do Rio Duas Unas até a sede do Engenho Camassary, onde tomava o rumo oeste pelo vale do mesmo rio. No encontro dos rios Duas Unas e Pixaó, a ferrovia da usina Bulhões se bifurcava. O primeiro ramal continuava pelo Vale do Rio Duas Unas passando pelos engenhos Pocinho e Una, onde aparentemente terminava neste último (talvez prosseguisse até o Engenho Pacoval). O segundo ramal seguia pelo Vale do Rio Pixaó, em direção noroeste, até o Engenho do Mato, onde novamente se bifurcava em dois sub-ramais. O primeiro seguia ao norte pelo Engenho Curupaity e terminava no Povoado de Matriz da Luz. Já o segundo, prosseguia pelo Vale do Rio Pixaó até o engenho homônimo, onde tomava o rumo oeste, seguindo até a nascente do rio. Atravessava o divisor de águas entre o Pixaó e o Várzea do Una, e seguia por mais sete quilômetros atravessando os engenhos Covas, Araújo, Poço Dantas e Várzea do Una, onde terminava. Em sua maior extensão, a ferrovia da Usina Bulhões alcançava até cerca de 20 km.

Usina Bulhões - Hoje Falida

Penetrava ainda no município do Moreno a ferrovia vinda da Usina Bom Jesus, sediada no município do Cabo. Subindo o Vale do Rio Gurjaú, atravessava os engenhos São Braz, Monte, Jacobina e Coimbras, sempre na margem do Rio Gurjaú que pertence ao município do Cabo, para daí ir aos Engenhos Gurjaú de Baixo e de Cima, já em território morenense. Neste último engenho, a ferrovia se bifurcava, indo um ramal para o Engenho Cumarú, onde se encontrava com o ramal vindo da Usina Jaboatão. O outro ramal seguia em direção ao Engenho Novo da Conceição, vindo a terminar em Cajabussu. No Engenho Novo saía ainda um pequeno ramal por um riacho, até a localidade conhecida como "Os quadros".

Vista aérea da Usina Jaboatão

Como é possível perceber, estas ferrovias ligavam quase todos os engenhos e era possível percorrer grandes distâncias de um município a outro. Facilitava não só o transporte da cana, mas também dos moradores dos engenhos que se beneficiavam das ferrovias para ir ao trabalho e para a cidade. Muitos utilizavam "trollers" para se locomover, o que às vezes causavam acidentes. Todo o vale dos rios Duas Unas, Gurjaú e Muribeca estavam conectados e podía-se ir de Muribeca a Matriz da Luz sem grande problemas. Hoje, porém, nenhuma dessas linhas mais existem e os trilhos foram todos arrancados e/ou roubados. É possível encontrar, às vezes, um ou outro trecho e alguns trilhos constituem colunas de algumas casas de moradores e há ainda uma pequena locomotiva parada na Usina Bulhões. Mas o que levou ao desaparecimento dessas ferroviais?

Ruínas da Usina Muribeca

O mesmo processo que se verificou com as ferrovias públicas parece ter ocorrido com as ferrovias privadas das usinas: o favorecimento do transporte rodoviário em detrimento do ferroviário, a partir das décadas de 60 e 70. Algumas ferrovias foram destruídas logo após o fechamento da usina, como foi o caso da Usina Muribeca, mas nos demais casos, mesmo com o prosseguimento das atividades, os trilhos foram arrancados em meados da década de 80, simplesmente porque os caminhões passaram a ser preferência para o transporte da cana. Com isso, o que seria no futuro uma grande oportunidade de transporte alternativo de passageiros simplesmente desapareceu!

Locomotiva na Usina Bulhões