domingo, 29 de setembro de 2013

Casa-grande de Engenhos em Moreno

Por James Davidson


O termo casa-grande, como é conhecido hoje, refere-se à moradia do senhor de engenho. Junto com a capela, senzala e fábrica, constituía um dos edifícios base da estrutura de um engenho de cana-de-açúcar. Mas nem sempre as casas de engenho eram chamadas assim. Ao se consultar documentos antigos, percebe-se que eram mais comuns os termos "casa de vivenda", "casa de morada", "sobrado", entre outros. Parece que o termo casa-grande só foi consagrado mesmo após a publicação do livro clássico "Casa-grande e Senzala" de Gilberto Freyre, tornando-se a expressão conhecida e popularizada. Além disso, o termo casa-grande não era de uso restrito da zona canavieira, pois aparece também no agreste e no sertão, para denominar também a principal residência de uma fazenda.

Como demonstra Geraldo Gomes, autor de Engenho e Arquitetura, o mais profundo estudo sobre o tema em Pernambuco até hoje feito, nem sempre as casas-grandes eram grandes casas. Além de existirem grandes casas senhoriais, também existiam as modestas e simples casas-grandes, mostrando que nem todos os donos de engenhos eram ricos e poderosos como o senso comum nos faz crer. É importante destacar a grande variedade de tipos existentes e que nem sempre as casas que chegaram até hoje são as originais.


No caso do município do Moreno, muitos dos seus 44 engenhos ainda conservam sua casa-grande. Entre os engenhos que não as possuem mais, podem ser citados os engenhos Canzanza, Mato-grosso, Timbó, Serraria, Pacoval, Bom Dia, Quiaombo, Brejo, entre outros. Alguns conservam um edificação bastante descaracterizada com modificações significativas, como as casas dos engenhos Catende e Caraúna, e outras são relativamente recentes, como as dos engenhos Gurjaú de Baixo e Buscaú. Outras, porém, constituem belíssimos exemplares da Arquitetura de Engenho, como as casas dos engenhos Morenos, Pintos e Novo da Conceição. Vejamos algumas delas:

Casa-grande do Engenho Catende

Casa-grande do Engenho Carnijó

Casa-grande do Engenho Gurjaú de Cima

Casa-grande de Gurjaú de Baixo

Casa-grande do Engenho Buscaú

Casa-grande do Engenho Floresta

Casa-grande do Engenho Queimadas

Casa-grande do Engenho Pintos

Casa-grande do Engenho Pereiras

Casa-grande do Engenho Jaboatão
Casa-grande do Engenho Javunda

Casa-grande do Engenho Jussara

Casa-grande do Engenho Pocinho

Casa-grande do Engenho Una
Casa-grande do Engenho Morenos

domingo, 30 de junho de 2013

Filme Engenhos e Usinas - Humberto Mauro

Por James Davidson

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Pesquisando na Internet encontrei uma das obras primas do cineasta Humberto Mauro - o filme Engenhos e Usinas. Mineiro, Humberto foi um dos grandes cineastas do Brasil de meados do século XX e que nos legou muitas obras sobre a cultura popular brasileira que valem apena conhecer. Engenhos e Usinas é um filme que retrata a substituição dos engenhos primitivos, chamados de banguês, pelas usinas modernas. Este fato ocasionou o desaparecimento do engenhos tradicionais que ficaram de "fogo morto". Como a região do Vale do Jaboatão era tradicionalmente repleta de engenhos, o mesmo fenômeno aconteceu e hoje os engenhos só conservam os nomes, remetendo sua cana para as usinas. Assim, perdeu-se muito tanto em termos de cultura material, pois a maioria das fábrica e moendas foram destruídas, como imaterial, pois até mesmo as tradições como as festas da botada (início da moagem) e cantigas antigas foram sendo esquecidas. No município de Moreno, por exemplo, apesar da maioria dos antigos engenhos preservarem seus nomes, existem apenas uma roda d'água, que é a do Engenho Seva. Até pouco tempo atrás existia a Roda d'água do Engenho Jaboatão (Jaboatãozinho). Porém, foi levada para um ferro-velho e destruída por moradores locais. Sem falar na expulsão dos moradores do engenho por parte das usinas ou a completa destruição do engenho e seus edifícios (casa-grande, senzala, fábrica e capela). Assim, o patrimônio vai se perdendo pelos interesses individuais ou em nome do "progresso"!